Desejo
Uma noite fria, era madrugada e nevava.
Roubamos um caminhão em fuga, uma estrada no meio da Rússia.
E parecia o fim, não havia nada, mas você me amava;
Você segurava a minha mão e sorria, minha amada, era nossa música
Que tocava no rádio, que fora nossa trilha,
E naquela milha centenária, nossos corações voavam juntos.
Pelos fundos, escoavam, e eu levitava, pois você me amava.
E éramos nós contra o mundo, imundo, almejando nossas cabeças.
Te esqueça, não nos pegarão, se você pegar a minha mão, e vir
Vamos rir, ainda que seja desenfreado, porque nosso rumo é à liberdade.
Tão tarde, alarde, minha vida começa agora, daqui afora.
E que seja assim, meu começo e meu fim,
A força que me ergue é a que a minha cova cava;
E ainda assim valia a pena, pois você me amava.
Meu anjo da guarda, minha pequena amada, meu limite é o firmamento.
E por um momento, eu tento, mas não consigo;
Contigo, leva aquele antigo, o sonho
Risonho, a duzentos por hora na contramão, toma meu coração, e sai comigo por aí;
Não me deixa, fica comigo onde a gente tava; Não vai, não me trava;
Porque eu ainda quero ser feliz, minha flor de lis
E tudo vai dar certo, porque você me amava.