Castelo de Vidro

Um palacio de pensamentos, analises e emocoes, com interior visto por qualquer angulo. Diferentes interpretacoes, variados julgamentos. Inumeras coroas para a mesma realeza.

Drdating.com

Desejo

Uma noite fria, era madrugada e nevava.
Roubamos um caminhão em fuga, uma estrada no meio da Rússia.
E parecia o fim, não havia nada, mas você me amava;
Você segurava a minha mão e sorria, minha amada, era nossa música
Que tocava no rádio, que fora nossa trilha,
E naquela milha centenária, nossos corações voavam juntos.
Pelos fundos, escoavam, e eu levitava, pois você me amava.
E éramos nós contra o mundo, imundo, almejando nossas cabeças.
Te esqueça, não nos pegarão, se você pegar a minha mão, e vir
Vamos rir, ainda que seja desenfreado, porque nosso rumo é à liberdade.
Tão tarde, alarde, minha vida começa agora, daqui afora.
E que seja assim, meu começo e meu fim,
A força que me ergue é a que a minha cova cava;
E ainda assim valia a pena, pois você me amava.
Meu anjo da guarda, minha pequena amada, meu limite é o firmamento.
E por um momento, eu tento, mas não consigo;
Contigo, leva aquele antigo, o sonho
Risonho, a duzentos por hora na contramão, toma meu coração, e sai comigo por aí;
Não me deixa, fica comigo onde a gente tava; Não vai, não me trava;
Porque eu ainda quero ser feliz, minha flor de lis
E tudo vai dar certo, porque você me amava.

Emanuel Oliveira

Lyudi Invalidy

Neste lugar, não há luz;
Neste lugar, não há paz;
Neste lugar, há acampamentos e é sempre madrugada;
Neste lugar, a morte é um ídolo e não carrega foice;
Neste lugar, as peles são flácidas e escuras;
Neste lugar, não há água;
Neste lugar, todos são lúdicos e vestem cor;
Neste lugar, os tons são pasteis e os olhares são sépia;
Neste lugar, há ratos. Peste, malária e aids;
Neste lugar, as grávidas dão à luz abortos;
Neste lugar, há lixo. Há humus, chorume;
Neste lugar, a fala é embargada;
Neste lugar, o ticket de viagem é uma fada;
Neste lugar, não há fome e não há banho;
Neste lugar, há prejuízo e não há ganho;
Neste lugar, a entrada é cara. A saída não se negocia;
Neste lugar, são todos animais - ninguém tem alma;
Neste lugar, não há sexo, só se procria;
Neste lugar, todos sempre querem mais;
Neste lugar, a fissura leva à loucura. A loucura devora a calma;
Neste lugar, as pessoas são inválidas;
Neste lugar, as canções são plácidas;
Neste lugar, não há silêncio e não há sono;
Neste lugar, o tempo é curto, e passa voando;
Neste lugar, não há stereo, somente mono;
Neste lugar, as noites não têm amor, as manhãs não têm arrependimentos;
Neste lugar, não há vida;
Neste lugar, não há morte;
Neste lugar, não há fraco nem forte;
Neste lugar, há aberrações, aborrecimentos, há birra;
Neste lugar, não há fim;
Neste lugar, não há não, não há sim;
Neste lugar, enfim, há pessoas, assim, inválidas.

Emanuel Oliveira

Sobre paixoes e plantas

Paixões são como plantas;
Sementes são momentos. Podem ser sorrisos, uma conversa curta, um aceno de longe, uma troca de olhares.
Plantam-se no fofo terraço do coração. Ou do cérebro?!
Recordações são seu adubo.
Paixões são como plantas;
Uma vez alimentadas do jeito certo, florescem e crescem e se tornam belas árvores.
Sua água são as lágrimas, o suor, a saliva gasta ao se dizer algum bocado de vocábulos.
O sol que lhes aquece é o calor que vem do peito, vem de dentro, é o sentimento, e a agonia, que ardem a vários graus centígrados.
A paixão que tira o ar, retorna suspiros… fotossintetiza a respiração.
Paixões são como plantas;
Algumas se desenvolvem e viram árvores - Árvores são amores.
Alguns amores são natos e se dão por si só, talvez daí a expressão Árvore Genealógica.
Algumas árvores dão frutos. Todas árvores são frutos.
Paixões são como plantas;
Algumas te sustentam por toda uma vida - Como a planta dos pés.
Outras te localizam e te situam no mundo - Como a planta de um edifício.
Algumas plantas morrem; Algumas nem ao mesmo nascem.
Paixões são como plantas;
Estão em todo lugar.
Sem elas não há ar, sem elas não há vida.
Sem elas não há cor, não há comida.
Paixões são como plantas.

Emanuel Oliveira

Automatico

Segunda-feira, um dia que eu odeio. Levantei de manhã, não dormi direito, tive receio.
Ainda que tarde, pareço ter chegado a tempo; Pois é.
Me pus ali, no meu púlpito, calado. Um tanto chateado por causa do resfriado; tá tudo bem.
Como uma águia em busca da presa, me pus a te admirar dos teus ombros, de certo nem percebera.
Te mirava ali, de tão longe, com medo. Você me julgara, na tua, sem dizer uma palavra.
Você disfarça mal, se a intenção é que eu não percebesse, agistes da maneira errada, mas não tem problema.
O emblema, estampado no teu rosado rosto, me fazia ali tremer de nervosismo.
Achismo, você nem me notara no final das contas, e esta não passa de uma paranoia da minha cabeça.
Eu não sei bem, mas de algum jeito eu sinto que não vai dar certo; Talvez dê, mas sabe,
É automático como você faz essa coisa quando me olha, eletrifica o meu corpo, me toma por inteiro.
E não há como ignorá-lo, então eu hei de absorvê-lo. De tê-lo, o meu maior desejo.
Ainda que em sonho, em fantasia, ilusão ou qualquer viagem de ácido.
Trepa comigo, me engravida, me toma como amante e como cúmplice, me leva em aventura.
Que eu quero essa magia, esse encanto da correspondência. Eu quero a vida. Não é segredo que isso me excita.
Atirado no fogo, flechando teu músculo mais ativo. Libertando meu lado animal, te mostrando que eu SOU MAL.
Uma vontade carnal, um capricho banal, toda essa história e tal, meu instinto natal.

Emanuel Oliveira

Rosa

Vislumbrei-te ali, seminua.
E da pele tua, naquela cor crua, o brilho da Lua.
Continua, ídolo dos apaixonados, a luz dos desesperados, você.
Destes teus olhos rasos, me adiantando prazos, de lhe apresentar meus casos.
Meus laços; Nestes te envolvo, de novo, não devolvo, te louvo.
Mais perto, me abusa, me cruza, minha musa.
Picha meu coração, vandaliza meu corpo, me destroi e me refaz como ser.
Certeza, de certo teu, o teu romeu, um camafeu, pro teu deleite.
Te enfeite; Me prega uma peça, me meça. Me explora com calma, sem pressa.
Paixão, tem destas coisas. Uns sorrisos perdidos, desmedidos, bandidos e tal.
E qual, seria teu gosto, disposto, teu tão belo rosto, que é quase o oposto, do que eu houvera exposto.
Pra vida, que ainda na ida, rasgara-me ferida, fez de mim corrompida
Figura, de emoção recoberta, uma vez que desperta, esperta; Não dorme.
Enorme, vontade de dentro, se debatendo no centro, do peito que bate.
ME MATE! Me soca e me chuta; Me toca, me escuta; Me ama, dá-me um abraço.
Me almeja, sonha comigo; amigo. Me diz que eu sou nobre, com meu coração pobre, que sofre, um artefato de cobre.
Me descobre, te declara pra mim, usa tua boca carmim, que enfim, tem meu beijo no fim.

Emanuel Oliveira